VOU FALAR DAQUILO QUE NÃO POSSO DIZER:
SILÊNCIO E VERGONHA EM MELHOR NÃO CONTAR, DE TATIANA
SALEM LEVY
Nome: SIZUE DE FREITAS ITHO
Data de publicação: 07/07/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| FABIOLA SIMAO PADILHA TREFZGER | Examinador Interno |
| MÍRIAN TENÓRIO MARANHÃO LEÃO | Examinador Externo |
| NELSON MARTINELLI FILHO | Presidente |
Resumo: Este trabalho surge da compreensão de que experiências de violência podem
reverberar por longos anos na trajetória de um sujeito, impactando sua constituição
psíquica. Partiremos, então, de conceitos psicanalíticos pertinentes à questão da
memória, da vergonha, do inconsciente, do trauma e, junto a isto, analisaremos os
reflexos da ditadura militar brasileira (1964-1985) na subjetividade das mulheres que
viveram este período - vítimas diretas ou indiretas dessa violência -, e como isto surge
na narrativa de autoras contemporâneas filhas desta geração, representada por
Tatiana Salem Levy com seu romance autoficcional, Melhor não contar (2024).
Procuraremos, aqui, compreender como a rememoração e a escrita podem amparar
em um processo de elaboração de angústias, sofrimentos e sintomas psíquicos.
Nossa abordagem se dará pelo viés psicanalítico, amparada fundamentalmente nas
teorias de Sigmund Freud e Jacques Lacan, em diálogo com representantes das
teorias da literatura de testemunho e autobiografia (como Danielle Tega, Diana,
Klinger e Márcio Seligmann-Silva), ensaístas como Susan Sontag e suas reflexões
sobre a dor, filósofos com trabalhos nas áreas da linguagem e memória (como Jeanne
Marie Gagnebin, Jacques Rancière, Paul Ricœur e Règine Robin), bem como da
violência e feminino na literatura brasileira (como Maria Amélia de Almeida Teles,
Eurídice Figueiredo e Jaime Ginzburg). Por fim, narrativas que abordam o período da
ditadura militar de 1964, associadas a textos elaborados a partir do que
identificaremos como escritas de si, serão objeto de análise dentro de uma dinâmica
que busca compreender como os temas silêncio e vergonha se manifestam.
