MEMÓRIA, VIOLÊNCIA E ARQUIVO LITERÁRIO EM ESSA GENTE, DE CHICO
BUARQUE

Nome: HANA RADAELLE RAMPINELLI PEREIRA

Data de publicação: 29/07/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
FABIOLA SIMAO PADILHA TREFZGER Presidente
FLORA VIGUINI DO AMARAL Examinador Externo
FRANCIELLI NOYA TOSO Examinador Externo
NELSON MARTINELLI FILHO Examinador Interno

Resumo: Esta dissertação analisa o romance Essa gente (2019), de Chico Buarque,
investigando como a narrativa articula memória, violência e arquivo literário para
representar criticamente a experiência histórica brasileira contemporânea. Parte-
se da compreensão de que a literatura constitui um espaço privilegiado de
elaboração da memória, capaz de problematizar processos de silenciamento e
esquecimento. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza
bibliográfica e analítico-interpretativa, fundamentando-se, sobretudo, nos
estudos de Maurice Halbwachs (2006), Paul Ricœur (2007), Pierre Nora (1993),
Márcio Seligmann-Silva (2003), Michael Pollak (1989) e Eurídice Figueiredo
(2017). A análise evidencia que o romance constrói um arquivo literário das
tensões políticas e sociais do Brasil recente, marcadas pelo autoritarismo, pela
violência e pela crise democrática. Por meio da trajetória do narrador Manuel
Duarte, a narrativa problematiza a fragmentação da memória, a precarização das
relações sociais e a permanência de estruturas históricas de violência na
sociedade brasileira. Conclui-se que Essa gente ultrapassa a representação de
uma conjuntura específica ao afirmar a literatura como espaço de resistência,
preservação da memória coletiva e elaboração simbólica dos traumas históricos.

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