PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES DE BICHAS, SAPAS, TRAVAS E
ENTENDIDOS NA POESIA DO LAMPIÃO DA ESQUINA
Nome: RODRIGO DOS SANTOS DANTAS DA SILVA
Data de publicação: 26/06/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ANTONIO DE PADUA DIAS DA SILVA | Examinador Externo |
| FRANCISCO ALVES GOMES | Examinador Externo |
| NELSON MARTINELLI FILHO | Examinador Interno |
| RONEY JESUS RIBEIRO | Examinador Interno |
| SERGIO DA FONSECA AMARAL | Presidente |
Resumo: Nesta tese, objetiva-se analisar 26 poemas presentes na seção “Literatura” do
jornal alternativo gay Lampião da Esquina (1978-1981). Um periódico carioca
que teve circulação nacional, sobretudo após a abertura da ditadura militar
brasileira. Dessas análises, defende-se o segmento literário dessa publicação
como um lugar de paratopia. Essa formulação de Maingueneau (2006) parte da
ideia de que o conceito de autor é produzido socialmente a partir das condições
discursivas que o rodeiam e o (des)legitimam. Por conta da censura do
ordenamento soberano da ditadura, muitas dessas produções literárias
estiveram em uma posição instável, pois parte desses autores estava em uma
topografia social que lhes abdicava dos direitos à vida política, sujeitos viventes
em uma sociedade em que sua participação se fundamentava em uma zona de
exclusão (Agamben, 2002; 2007). Avaliar as vozes poéticas que percorrem o
segmento literário desse periódico alternativo faz compreender que elas
testemunham as experiências sociais de um grupo social (minoritário) excluído
e que se pode assimilar também a como essas pessoas viveram nesse
cenário. Esses poemas nos servem como “arquivos poéticos”, instrumentos de
resistência, representação de práticas culturais dessas minorias sociais
vulneráveis. Observa-se, ainda, que o tecido literário em análise contribui para
a constituição da memória da comunidade LGBTQIAPN+ brasileira, na medida
em que a poesia lampiônica traz um ethos gay/orgástico que excede a
representação das experiências sexuais, abrangendo também os afetos, os
modos de sociabilidade e as formas de existência desse grupo social. Embora
não tematizasse explicitamente a ditadura, essa produção literária registrou
vivências e subjetividades dissidentes em um contexto político de repressão e
normatividade cis-hétero-militar.
