RELAÇÕES RACIAIS NAS OBRAS DE VIANNA MOOG E TOLEDO MERCIO: UMA ANÁLISE DE UM RIO IMITA O RENO E LONGE DO RENO
Nome: LUCIANO VIEIRA DE AGUIAR
Data de publicação: 23/06/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| HIATA ANDERSON SILVA DO NASCIMENTO | Examinador Externo |
| JOAO CLAUDIO ARENDT | Examinador Interno |
| MÁRCIA MARIA DE MEDEIROS | Examinador Externo |
| ROBSON LOUREIRO | Examinador Interno |
| SERGIO DA FONSECA AMARAL | Presidente |
Resumo: Nesta tese investigo como as relações raciais são construídas literariamente nos
romances Um rio imita o Reno, de Clodomir Vianna Moog, e Longe do Reno, de
Bayard de Toledo Mercio, tomando como objeto de análise as diferentes formas
pelas quais cada obra elabora discursos sobre identidade, pertencimento e
preconceito racial no contexto da colonização alemã no Sul do Brasil. Embora
dialogue com estudos históricos, sociológicos e culturais indispensáveis à
compreensão do período retratado, a pesquisa privilegia os estudos literários como
foco interpretativo, compreendendo os romances não como documentos da
realidade, mas como construções narrativas e ficcionais que produzem sentidos,
organizam concepções sociais e tensionam discursos a respeito da questão racial. O
percurso teórico fundamenta-se em autores da teoria da literatura, da literatura
comparada e da crítica literária brasileira em contribuição com reflexões sobre raça,
etnia e eugenia apenas na medida em que contribuem para a interpretação do
elemento ficcional. Sob o ponto de vista metodológico, desenvolve-se uma pesquisa
de natureza qualitativa, bibliográfica e comparativa, baseada na análise textual dos
romances, observando os aspectos narrativos, a construção de personagens, as
estratégias de representação, a organização dos discursos e as aproximações e
divergências entre os dois romances. A análise demonstra que, embora ambas as
obras compartilhem um mesmo universo histórico e espacial, elaboram respostas
literárias distintas para as tensões raciais presentes na sociedade brasileira.
Enquanto Vianna Moog evidencia o preconceito racial como elemento estruturador
dos conflitos em seu romance, Bayard de Toledo Mercio tende a relativizar ou
atenuar essas tensões em sua obra, produzindo diferentes interpretações
discursivas sobre as relações entre brasileiros e descendentes de alemães. A
comparação entre ambas as produções literárias evidencia como a literatura
participa da construção de representações coletivas e da disputa de significados em
torno da questão racial, ajudando a expandir a recepção crítica a partir dos estudos
literários.
