A FACE RISÍVEL EM ELISA LUCINDA
Nome: THIARA CRUZ DE OLIVEIRA
Data de publicação: 27/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| JACQUELINE LARANJA LEAL MARCELINO | Examinador Externo |
| JORGE LUIZ DO NASCIMENTO | Examinador Interno |
| JULIANA CAMPOS ALVERNAZ | Examinador Interno |
| KEILA MARA DE SOUZA ARAÚJO MACIEL | Examinador Externo |
| MICHELE FREIRE SCHIFFLER | Presidente |
Resumo: Esta tese se propõe a analisar o risível em Elisa Lucinda, identificando o riso como artifício
estético para sua fabulação literária. A partir de teorias tradicionais do riso (Bergson, 2018;
Propp, 1992; Freud, Minois, 2003; Alberti, 2011 etc.), destaca-se o caráter social e crítico do
humor apresentado em suas personagens e vozes poéticas, as quais esboçam reflexões que
transitam o cômico, mas revelam o trágico, sobretudo no que se refere à questão étnico-racial,
formando um lugar de encruzilhada. Percebe-se que a oralidade e a cotidianidade são recursos
centrais para a elaboração do risível em sua produção literária, interseccionando riso e raça por
meio de uma “carnavalização” (Bakhtin, 2010), em que visa “escarafunchar” a vida por meio
da pedagogia da encruzilhada (Rufino, 2019). Para tanto, identifica-se o risível em quatro obras,
que são objetos de análises: na prosa, i) Livro do Avesso: o pensamento de Edite e ii) Quem me
leva para passear?; no texto teatral, iii) Parem de falar mal da rotina; e iv) em poemas do
livro Vozes Guardadas e de O Semelhante. De modo geral, identifica-se liberdade poética para
veicular críticas, com destaque, a discursos racistas, mas também a uma sociedade colonizada,
sem receio de que a inversão da piada seja destituída de graça, automaticamente estabelecendo
críticas ao que se entende por “racismo recreativo” (Moreira, 2019), para assim rasurar,
encontrar espaços nas frestas e alimentar a transgressão. Esse movimento contribui para
promover o debate sobre a literatura brasileira e racismo no Brasil, visto que há inversão do
objeto risível, tornando o riso instrumento de um devir que se desenha na encruzilhada.
