A POESIA FEMINISTA DE LEILA MÍCCOLIS: CRÍTICA E RESISTÊNCIA À VIOLÊNCIA PATRIARCAL

Nome: EVELYN SANTOS ALMEIDA

Data de publicação: 04/07/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
DANIELLA BERTOCCHI MOREIRA Examinador Interno
MARCUS VINICIUS XAVIER DE OLIVEIRA Examinador Externo
MICHELE FREIRE SCHIFFLER Examinador Interno
PAULA REGINA SIEGA Examinador Externo
VITOR CEI SANTOS Presidente

Resumo: Esta tese analisa a crítica e resistência à violência patriarcal na poesia de Leila
Míccolis entre 1965 e 2013. Adotando uma abordagem feminista e interdisciplinar,
investiga-se como sua poética opera como forma de denúncia e enfrentamento das
estruturas de dominação de gênero, especialmente nas relações afetivas e familiares.
O corpus compreende poemas dos livros Gaveta da Solidão (1965); Impróprio para
menores de 18 amores (1976), escrito com Franklin Jorge; Respeitável Público (1980);
Mercado de escravas (1984), escrito com Glória Perez; Só se for a dois (1990), escrito
com Urhacy Faustino; De 4 (1990), escrito com Glória Perez, Marçal Aquino e Ona
Gaia; Sangue cenográfico (1965-1997); Literatura Século XXI (1998) e Desfamiliares
(2013), todos incluídos na coletânea Desfamiliares: poesia completa de Leila Míccolis
(1965–2012), publicada em 2013. Essas obras são examinadas à luz de teorias
literárias e sociofilosóficas de autoras e autores como Theodor Adorno, Pierre
Bourdieu, Judith Butler, Silvia Federici, bell hooks e Rita Segato, propondo-se uma
leitura crítica do conteúdo poético como representação e resistência às formas
simbólicas e materiais da violência patriarcal. Nessa perspectiva, evidencia-se a
contribuição de Míccolis à construção de uma poesia feminista brasileira, ainda
marginalizada nos estudos literários canônicos. Embora reconhecida por sua atuação
na poesia marginal dos anos 1970 e pelo uso do erotismo como forma de protesto,
sua crítica ao patriarcado e às relações afetivas autoritárias permanece subexplorada.
O trabalho busca preencher essa lacuna, valorizando a dimensão política e
transgressora de sua poesia, que rompe com os modelos normativos de subjetividade
e oferece um espaço de reflexão sobre as múltiplas formas de violência que
atravessam o cotidiano das mulheres; em tempos de retrocessos sociais e políticos,
sua voz permanece urgente e necessária. Conclui-se que, por sua força crítica, humor
ácido e profundidade temática, a obra de Leila Míccolis constitui um marco da literatura
feminista brasileira e merece maior reconhecimento crítico.

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